Motivação em realização, reconhecimento e sociablização

Há vasta literatura sobre motivação. Porém, de todas as que eu li e ouvi falar, esta foi a mais simples e ao mesmo tempo a que mais me impactou.

Tomemos como exemplo o evento “nascimento de um filho”. Para ele há 03 tipos de pais:

1. Aquele que, para comemorar com os amigos o nascimento do herdeiro, já pensa em promover um churrascão no próximo domingo depois da chegada da esposa e do bebê em casa.

2. O que recebe os cumprimentos do sogro, do chefe e ganha cartões e presentes de amigos distantes parabenizando-o pela “conquista”. Além de um carinho especial da esposa em reconhecimento pelo esforço e companheirismo do amado durante toda a gestação.

3. Outro vibra sozinho, com ele mesmo, enquanto segura o bebê em seus braços na sala, sorrindo por tudo ter saído como ele planejara, sentindo-se realizado pelos anos de planejamento financeiro, acadêmico e familiar.

Percebem-se três reações diferentes a um mesmo evento.

Percebem-se três pais que reagem de forma diferente ao nascimento de um filho: para um o que importa é a sociabilização, é receber apertos de mão, estar perto de quem gosta, festa, é ter com quem comemorar algo! Para outro o reconhecimento do esforço é mais valioso e há ainda o que se sente realizado pela conquista, por ter vencido mais um desafio.

Participei certa vez de um seminário sobre liderança no qual foi apresentada tal teoria. Ela é embasada no fato de que todos nós temos 03 lacunas a serem preenchidas, que são realização, reconhecimento e sociabilização e sempre uma delas se destaca, é mais forte, enquanto que as outras duas também estão presentes, mas não são tão importantes (ou você acha que o pai sentado no sofá não gostaria de um churrasquinho com amigos, ou de receber um carinho especial da esposa?).

Eu não consigo te motivar. A motivação é algo que pertence a cada um de nós. Porém, eu posso me tornar um pouco mais conhecedor de mim mesmo e perceber qual lacuna para mim é a mais importante. Eu gosto de quê? Gosto de abraços, troféus, apertos de mãos, dinheiro, recompensa, desafio, luta, reconhecimento público na festa de fim de ano, mais projetos, camisa, broches e estrelinhas, foto na parede…?

O que me faz sorrir?

A partir do momento em que consigo responder consigo enxergar os acontecimentos à minha volta de forma diferente. Tenho mais força e discernimento para separar o que me faz feliz daquilo que me entristece. O que me motiva daquilo que me desmotiva. Aumento minha capacidade de desenvolver meu foco e isso me torna forte.

O líder que procura identificar qual lacuna é a mais importante para cada um de sua equipe tem maior chance de estabelecer um canal de comunicação eficiente, que favorece o desenvolvimento das pessoas, o processo de maturidade e fortalecimento do time. Ao respeitar as individualidades, perceber e desenvolver o potencial de cada pessoa, o líder atua como facilitador no processo de auto-motivação.

E todos ganham.

Não adianta reconhecer em público o funcionário que vibra sozinho com a superação de um desafio.. ele não ficará satisfeito enquanto não receber outro desafio! Tampouco é eficaz dar tapinhas nas costas e encher de elogios durante um cafezinho o funcionário que gosta de ser reconhecido em público…

Num exercício de auto conhecimento fica uma pergunta: Pense num momento muito feliz de sua vida… o que foi mais importante pra você? O reconhecimento, a sociabilização ou a realização?