03 dicas para ter uma equipe engajada

É injusto esbravejar com as pessoas que não estão engajadas quando o motivo deste comportamento é reflexo de alguns erros da gestão que você está aplicando ao seu negócio.

Uma equipe engajada é composta por pessoas que executam suas tarefas com empenho. Elas estão envolvidas com a causa, estão comprometidas em executar suas atividades. Seus integrantes são responsáveis.

A responsabilidade é algo que vem de “fora para dentro”. Ela precisa ser lembrada, precisa ser escrita por quem a define. Ela precisa estar presente nas ferramentas de comunicação da organização, nos manuais, nos painéis de gestão, nas reuniões de alinhamento de operações, por exemplo.

Quando uma pessoa atua com pensamento de dono, quando ela pega para si o que necessita ser resolvido, quando ela inova, ela age de “dentro para fora”.

Pessoas assim não precisam ser lembradas, as suas atribuições muitas vezes sequer necessitam estar escritas. Elas são criativas, inovadoras, sugerem, perguntam, discordam. Trata-se de uma virtude moral, e por isso é diferente de responsabilidade, é mais que isso. Isso chama-se accountability.

Há um terceiro termo chamado de “desculpability“, no qual se encaixam aquelas pessoas que usam desculpas como “não sabia“, “não vi o e-mail” e “achei que não era pra fazer“. Este termo é citado por João Cordeiro em seu livro “Accountability – A evolução da responsabilidade pessoal nas empresas. O caminho da execução eficaz“.

Uma das queixas que ouço com frequência no MBA, em cursos e palestras e ao conversar com colegas gestores é a “falta de engajamento das pessoas”, “o pessoal não se interessa”, “o pessoal faz pela metade”, “preciso de uma ferramenta pra fazer o pessoal produzir”, ou coisas do tipo.

Muitas vezes o erro está dentro de sua casa

É injusto esbravejar com as pessoas que não estão engajadas quando o motivo deste comportamento é reflexo de alguns erros da gestão que você está aplicando ao seu negócio e destaco dois erros:

1. Você contrata as pessoas erradas

Há uma máxima bem simples e certeira em gerenciamento de projetos: “Os projetos não dão errado no fim, eles já começam errado”. Da mesma forma que a falta de planejamento pode matar o seu projeto, contratar pessoas erradas pode minar o seu negócio.

Existem estudos e pesquisas que demonstram que grande parte das demissões nas empresas ocorrem devido a questões comportamentais e não necessariamente a questões técnicas.

Os valores que regem a sua organização devem estar bem claros e necessitam ser lembrados no momento dos processos de recrutamento e seleção. Muitas vezes esses valores nem existem, nunca ninguém parou pra pensar sobre eles ou eles apenas estão impressos em alguma parede e não são lembrados quando candidatos a preencher uma vaga são entrevistados.

Daí, você contrata aquela pessoa com um currículo técnico brilhante, mas que não consegue estender a mão para ajudar alguém ou nunca criou nada nas empresas em que trabalhou antes. Passa um tempo e você a demite por ela “não demonstrar engajamento” e contrata outra da mesma forma, e acontece tudo de novo.

Equipe engajada

Contratar sem observar os valores é uma aposta. Pode sair muito caro.

2. Você é o grande funil, o big-boss

Se tudo passa pela sua mão, se você sempre tem que dar a palavra final, se os e-mails são ditados por você e se você quer participar de todas as reuniões, por quê alguém de sua equipe se preocuparia em estar engajado?

Todo mundo sabe que se der errado você conserta. Sabem também que se esquecerem de algo você vai lembrar e, ainda, se alguém deixar de fazer algo você vai fazer.

A postura de grande funil engessa o trabalho da equipe, as pessoas tornam-se extremamente dependentes de você ou ficam inibidas em tentar algo diferente ou melhor.

Ao agir de forma centralizadora você inibe a ação de uma equipe engajada. Talvez em sua equipe há os que possuem accountability e não aparecem porque não têm chance de aparecer.
E como despertar o engajamento nas pessoas?

Há várias experiências realizadas para comprovar a eficácia de programas de recompensas e alguns deles podem ser válidos para despertar o engajamento: recompensas financeiras, folgas, benefícios, viagens, dentre outros e não vou abordar tais programas.

Compartilho 03 dicas simples citadas em um webinar sobre o tema, promovido pelo PMI-SP:

1. Dê às pessoas um motivo lógico para elas fazerem o que precisa ser feito

O autoritarismo explícito em “faça porque eu estou mandando” ou “você sabe o que deve fazer” é muito menos eficaz que a posição de responsabilidade compartilhada em “precisamos fazer isto, pois necessitamos alcançar o resultado x, caso contrário sofreremos as consequências a, b e c”.

Ao trazer o motivo lógico para se fazer algo você reforça a importância das pessoas envolvidas nas tarefas, elas perceberão tal importância no processo e farão o que precisa ser feito, por elas mesmas, por se sentirem responsáveis.

2. Reconheça a dificuldade na execução da tarefa

Demonstre conhecimento do que precisa ser feito, visualize e reconheça quais são as dificuldades que serão enfrentadas por quem executará a tarefa e informe onde serão encontrados e quais serão os suportes que estarão disponíveis. Ao fazer isso você ficará mais próximo das pessoas, estimulará o trabalho em equipe e exercitará a liderança participativa. Quem não seguiria um líder assim? ;-)

3. Saia da frente

Demonstre que você confia nas pessoas que estão com você ao dar a elas liberdade para fazer o que precisa ser feito do jeito delas. Exercite a delegação: dê a tarefa, apenas acompanhe e dê suporte a quem precisar. Desta forma, você estimula o exercício do pensamento analítico em sua equipe, elas poderão criticar o que está sendo feito e poderão surgir novas e melhores formas de se fazer algo.

Não sofra por antecipação ao “sair da frente”. Saiba que poderão aparecer erros e ao corrigi-los juntos com a pessoa que errou e a ela dar uma nova chance de fazer correto você colabora para mudar um senso comum no ambiente em que vivemos: o de que somos focados nos erros. Você pode fazer várias coisas corretas durante o dia inteiro. Mas, se falhar em algo, o dia acabou: você é cobrado por você mesmo e por quem está acima de você.

É muito prazeroso estarmos envolvidos com uma equipe engajada. É estimulante, é revigorador e os resultados que ela gera proporciona um ciclo saudável de visão crítica dos processos em que atua, o que eleva o seu nível de serviço.

Cabe a você perceber o que pode fazer para prover tal engajamento nas pessoas, sejam elas responsáveis ou que possuem accountability. Já as que praticam o “desculpability” talvez estejam no lugar errado…

Para quem quiser ouvir um pouco sobre accountability, fica a entrevista com João Cordeiro e conduzida por Milton Jung (CBN):

E você? No que acredita ser importante para o engajamento das pessoas em uma organização?